Sinopse

Uma rapariga asiática caminha sozinha, quase perdida, e chega a uma aldeia longínqua em Trás-os-Montes, onde encontra pessoas que lhe contam histórias bizarras que ela mal entende, que na verdade são lendas autênticas que as pessoas do Gerês foram passando de geração em geração através da oralidade. Esta linha de narração pretende criar uma atmosfera densa, comum ao universo visual da narrativa principal da rapariga asiática meio perdida, bem como ao universo mitológico das histórias contadas. Cada história que é contada à rapariga é um capítulo, e cada capítulo tem um estado de espírito e uma atmosfera muito próprias intrínsecas a cada lenda contada. Cada lenda vai ter um flashback que pretende evidenciar-se, narrativa e esteticamente, da linha de narração principal. Esta curta, para além de ficção, é um rico retrato etnográfico daquela região, dos costumes e crenças antigas das pessoas que a povoam. A misteriosa paisagem do inverno no Gerês Barroso é o “palco” onde se contam estas lendas, algumas imaginárias e outras reais, que ali tiveram lugar. 

Bio-filmografia da realizadora

Agnes Meng é uma cineasta de origem chinesa e tem formação em jornalismo e antropologia, trabalhou como assistente de pesquisa antropológica no sudoeste da China e no Tibete. Formou-se na Escola de Jornalismo e Comunicação na Universidade de Tsinghua; e tem um mestrado em documentário no "Docnomads" Erasmus Joint Master que inclui estudos na Universidade Lusófona em Lisboa, na Theater and Film Arts de Budapeste e na LUCA School of Arts em Bruxelas.

A sua primeira curta-metragem de documentário "Histórias de Lobos" filmada no Gerês estreou no 25th Hotdocs Canadian International Documentary Festival, e ganhou o prémio para melhor curta-metragem de documentário no 21st Guanajuato International Film Festival no México, entre outros prémios e selecções.

 

Equipa técnica

Realização:

Agnes Meng

Argumento:

Agnes Meng

Mário Gajo de Carvalho

Nota de intenções

Nasci em Pequim onde vivi no meio de 20 milhões de pessoas. A primeira vez que tive contacto com o norte de Portugal foi através do filme Trás-os-Montes, de António Reis e Margarida Cordeiro, e do filme Veredas, de João César Monteiro. As paisagens selvagens, os contos populares e os estilos cinematográficos inconfundíveis destes filmes produziram a imagem de um lugar poético e misterioso na minha imaginação. Fascinou-me intensamente a ideia de um lugar diferente e oposto àquele em que toda a vida vivi. Em 2016, visitei Trás-os-Montes pela primeira vez e descobri que, ainda hoje, contos e lendas sobrevivem através da prática da tradição oral que os idosos das aldeias, que mais se parecem com anciãos, preservam. Em 2017, vi um homem com uma pele inteira, de um grande lobo, que lhe cobria as costas. Em 2018, ouvi histórias de contrabandistas, algumas muito violentas, contadas na primeira pessoa. À medida que fui visitando o norte de Portugal, comecei a pensar seriamente sobre quantas destas histórias que ouvi estão em risco de se esvanecer rapidamente com aqueles que ainda as sabem contar. Estes foram os meus pontos de partida para me interessar por esta realidade. Foram a razão pela qual me decidi empenhar na missão de tentar recolher histórias únicas nestas aldeias intemporais do Gerês.